Home » Opinião

A PROBLEMÁTICA DA SEMANA.Teorização metafísica. Ou apenas estupidez.

Autor: Noticias de Guimarães em Quinta-feira, 22 Outubro 2009Sem Comentários

DetetorCuidado com as boas companhiasFixa isto: tem cuidado com as boas companhias do teu filho. Está atento:  se o vires acompanhado com gajos de óculos, impecavelmente vestidos e com ar de serem os melhores alunos da turma, tem medo. Tem muito medo. Mais ainda: se esses miúdos, os que estão a fazer companhia ao teu miúdo, forem mesmo, para além de parecerem, os melhores alunos da turma e receberem prémios e felicitações constantes pelo seu exemplar comportamento, treme. Treme a sério. Treme. E age. Não podes deixá-lo nas mãos de criaturas assim: modelares. Seria um modelo de incompetência da tua parte. Age. Antes que seja tarde demais.

Aprende: as melhores companhias são péssimas companhias. Nefastas: mortíferas, até. Porquê? Eu explico: as melhores companhias inibem o teu miúdo de se construir enquanto personalidade; de saber o que realmente é. Quando o teu miúdo está rodeado de boas pessoas, não é, jamais, colocado perante a responsabilidade de saber o que é – de se assumir como é. Só quando está rodeado de más pessoas – de gatunos, de drogados, de gandulos que partem, tudo, que faltam às aulas, que fumam charros às escondidas e se deliciam sempre que insultam (e insultam muitas vezes) o seu professor – é que ele pode, de facto, mostrar o que é: o que vale. Só quem é capaz de dizer “não” ao que considera ser errado consegue dizer “sim”, de dentro e de verdade, ao seu crescimento, à sua maturação, à sua solidificação intelectual e moral; só quem é colocado perante más influências é capaz de ser, para si mesmo, uma boa influência – é capaz de se influenciar positivamente. Se o teu filho só está rodeado de boas companhias, nunca irá saber, em tempo útil, se é, na sua raiz, uma má pessoa. As más pessoas tardias são mais más do que más pessoas precoces. As más pessoas precoces habituam-se a ser más pessoas – passam a encarar, desde bem cedo, o mal como parte integrante de si; e são capazes de perceber que é necessário dosear o mal – entregá-lo em pequenas doses. As más pessoas tardias, os desgraçados que só tiveram boas companhias quando eram miúdos, tendem a ser péssimas pessoas: depois de estarem enjaulados nas boas companhias durante anos e anos, vêem-se em liberdade e entram em loucura. Em absoluta loucura. Cometem actos de pura demência, como assaltar bancos, trair a esposa ou, em casos extremos, fazerem-se sócios do Benfica. Por isso reitero: age. Age antes que seja tarde demais.

As más companhias – essas que, ingenuamente, tanto temes que estejam junto ao teu filho – são as melhores companhias que ele deve ter. São elas, e só elas, o verdadeiro polígrafo de inteligência: de personalidade. Eu sei que, por mais que tentes, não consegues ter a capacidade – o discernimento – de entender porquê. E é isso, mais ainda, que comprova o que acabei de te dizer. Ou pensas que eu não sei que andavas sempre, no liceu, com os alunos bem comportadinhos?  Estamos esclarecidos.

Pedro Chagas Freitas

Comentar