A PROBLEMÁTICA DA SEMANA. Teorização metafísica. Ou apenas estupidez.
Responde-me: até que ponto gostas de um banhinho quente?
Para começar, uma pergunta: confias nas facturas que recebes? Deixo-te a maturar na resposta. Já volto.
Eis-me de regresso. Responde lá: confias nas facturas que recebes? Pois é: a crise – a económica – parece ter gerado uma outra crise. O seu nome: a crise das facturas. A crise absoluta – a pandemia. A Gripe A das facturas. Os sintomas: leituras erradas de electricidade, contagens obtusas de gás, consumos dementes de água, facturação de chamadas estrangeiras quando nunca saíste (não tens um chavo – como haverias de sair?) de Portugal. E mais: muito mais. No fundo é simples: pouco interessa aquilo que, realmente, consomes. Importa, isso sim, aquilo que dizem que consumiste. Nada mais fácil, não? Vejo que ainda não está, para ti, perfeitamente claro. Vamos a mais umas linhinhas para te explicar. Sim: vai lá beber um copo de água num instante.
Vamos a isto: operadores de telemóveis, de internet, de serviços de canais televisivos, de gás, de luz, de água – todos estão apostados em levar-te à loucura. E em, com isso, saborearam a loucura do aumento dos seus lucros. Ou, em última análise, de simplesmente amenizarem os efeitos da crise. O modus faciendi não vem nos livros – mas podia vir. Aprende: emite-se uma factura de valor exorbitante. Depois: espera-se a reacção, irada, do consumidor – que não entende o que se passa e que se queixa veementemente, ao mesmo tempo em que, com toda a força, clama não pagar um tostão enquanto a situação não ficar esclarecida. O que se segue é puro brilhantismo: o valor exorbitante é, com humildade e um pedido de desculpas, reduzido a um valor só estupidamente elevado. E o consumidor, satisfeito por ver que a sua reacção foi de macho e assustou o seu interlocutor, paga. E não bufa. Ou, se bufa, deixa de bufar em pouco tempo – quando o serviço é cortado. Porque, parecendo que não, é difícil telefonar a insultar quem nos cortou a linha telefónica do telefone que está cortado. Ou enviar um e-mail de severa reprovação ao operador que acabou de nos cortar a internet através do modem que está cortado. Ah: vi que agora entendeste. Antes tarde do que nunca. Vá. Mete a viola ao saco e diz-me: confias nas facturas que recebes? Deixo-te a maturar na resposta. Já volto. Só vou ali mandar um e-mail ao café e telefonar da cabine pública para a minha mãe. Depois é só tomar banhinho de água quente – que maravilha! – na casa de um amigo de infância e regressar ao café a tempo de ver o telejornal. Espera por mim, ok?
Pedro Chagas Freitas
Teho sofrido com este problema e muito! Só me falta mesmo tomar banho de água fria!!!Estas empresas são uma vergonha!O povo devia fazer um abaixo assinado contra a exploração.
(mas olha que eu bufo).:-)
lol!
Gostei…Venham mais!
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