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A PROBLEMÁTICA DA SEMANA. Teorização metafísica. Ou apenas estupidez. AFASTA-TE:DESCOBRI A PÓLVORA

Autor: Noticias de Guimarães em Quinta-feira, 18 Junho 20092 Comentários

PolvoraPsst. Psst. Estás aí? Lê só uma coisinha. É um instante. Antes de começar, deixo-te uma pista: é sobre a recém-criada Fundação que vai gerir a componente imaterial da Capital Europeia da Cultura 2012. Uma seca? Não. Vais ver que é bem divertido. Reza mais ou menos assim: “a Fundação que substitui a empresa municipal permite um salto qualitativo e prossegue uma estratégia de desenvolvimento cultural de médio e longo prazo, com a possibilidade de participação de instituições e personalidades de elevado mérito, uma maior transparência e uma visão mais universal”. São palavras giras, não são? É tudo muito bom. Melhor ainda: é tudo perfeito. Uma maravilha. A vida é bela, o mundo é lindo, viva a paz, quero viver para sempre, o planeta é um imenso céu azul. Agora pensa: em quem encaixariam, na perfeição, estas palavras – tão elogiosas para com uma medida camarária? Claro: pensaste, e pensaste bem, que seriam palavras do próprio líder do executivo – António Magalhães. O raciocínio, reitero, é bom. Mas, no entanto, não acerta no alvo. Sem dúvida: ouviste na perfeição. Isto: não acerta no alvo. Porquê? Ora: porque, simplesmente, não foi António Magalhães quem proferiu aquelas palavras. Mistério.
Perguntas bem: quem foi então? Vou dar-te uma pista: as palavras foram proferidas, com muita pompa e ainda maior circunstância, em plena assembleia municipal. Sim: aquele local onde se decide o futuro da tua cidade – é Guimarães, não esqueças. E agora: já adivinhas quem foi? É, mais uma vez, bem pensado da tua parte. Mas é, lamento novamente, um tiro falhado. E muito ao lado. Isso mesmo: não foi, como muito bem supuseste, nenhum vereador do Partido Socialista – o que governa a tua cidade (Guimarães, não esqueças). Não: nada disso. Tenta mais uma vez. Lança daí.
Até que pensas bem, canudo. Tens bons miolos, meu malandro. Mas não. Também não foi nenhum opinador ligado ao Partido Socialista, o que governa a tua cidade (Guimarães, não esqueças), que o disse. E esta, hein? Está complicado comó carago, não? Vou dar-te mais uma chance para acertares. Força.
Mal-agradecido. Não queres tentar mais nenhuma vez? Ok: não tentas. Ninguém te obriga a nada. Eu digo-te. Abre bem esses ouvidos: quem disse aquilo foi, imagina só, um vereador da bancada municipal do PSD. Não. Não há erro: do PSD. Exacto: um “D” depois do “S”. Exacto: esse partido da oposição. Exacto: a oposição é composta por aqueles que são eleitos para fazer – adivinhaste, espertinho – oposição. Eu sei: eu também estou confuso. Mas tenta desdramatizar: há matérias em que a oposição pode concordar com quem está ao leme. Claro que sim: claro que há. Faz parte da democracia. Não dificultes as coisas, sim?
Pois. Tens razão. Isso é que é esquisito: um dos rostos da oposição dizer as mesmas palavras que o próprio líder de quem governa a tua cidade (Guimarães, não esqueças) poderia ter dito na mesma altura – e perante o mesmo facto. Faz-te pensar, não? A mim também. Afinal de contas, se votas em quem vai ficar na oposição esperas que ele seja isso mesmo: oposição. Ou não? Claro que sim – que tu não és, embora por vezes pareças, parvo nenhum. E quando vês a oposição fazer coisas destas se calhar até concluis que, mal por mal, mais vale votar nos mesmos – nos de sempre. Para quê complicar?
Chiça: será que descobri a pólvora? É: pode muito bem ser isso. O quê? Simples: pode muito bem ser que as maiorias absolutas sucessivas do PS na tua cidade (Guimarães, não te esqueças) tenham essa justificação: mal por mal, mais vale votar nos mesmos – nos de sempre. Nada mais do que isso: quem te governa, segundo a tua linha de raciocínio, é mau. Mas quem se opõe a quem governa é pior. Tão mau que a sua voz se (con)funde com a do poder. Tão mau que, por vezes, parece um holograma do poder. Pior do que mau: invisível. Mais: abúlico, estático, inerte, vencido, parado, rendido, prostrado. Pior ainda: anafado. Só mais um para terminar: traidor. Traidor de quem votou. De quem votou e queria atenção, esmero, dedicação. Revolução – se fosse necessário. Mas nunca subjugação, nunca silêncio. Nunca. Nunca. Nunca. Disseste bem: nunca.
Deixo-te uma sugestão (faz o que quiseres com ela que eu não me chateio nada): quando fores votar para as autárquicas da tua cidade (Guimarães, não esqueças), fecha os olhos e coloca a cruz sem veres onde. Vais ver que, acertes onde acertares, não haverá grande diferença. É tudo exactamente o mesmo. Tiraste-me as palavras da boca: só o cheiro é que é diferente. Que fragrância preferes?

Pedro Chagas Freitas

 

2 Comentários »

  • Johnny escreveu:

    São todos iguais! Sem tirar nem pôr! É preciso é que as pessoas abram os olhos!

  • Sónia Vieira escreveu:

    Nem o cheiro deles suporto. Votar de olhos fechados é uma boa solução de facto!

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