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A História e o Homem

Autor: Redaccao em Quinta-feira, 30 Setembro 2010Sem Comentários

VIRIATO chefe dos lusitanos, considerados  segundo a tradição, como os “antepassados dos portugueses”, pastor salteador que à época desafiou o poder de Roma, sendo o seu nome próprio de origem celta “Viriatus” que significa “aquele que usa viria”, leia-se pulseira ou abraçadeira de metal.Junto da estátua de Viriato sita na cidade de Viseu existe uma placa colocada pelo Estado Novo aquando da sua inauguração no ano de 1940, em plenas comemorações da Fundação e Restauração de Portugal e onde se pode ler “as raízes desta Nação  viva e forte, imortal na sua essência…” e do pouco que se sabe, parece ser bem diferente a realidade do acontecido, mormente o que me ensinaram na escola primária em ordem a Viriato ter nascido nos Montes Hermínios na Serra da Estrela, mas segundo o historiador espanhol Maurício Muñoz o pastor terá vivido mais para sul, algures entre o Alentejo e as províncias espanholas da Estremadura e de Andaluzia.
Viriato terá sido filho dum chefe tribal e consta que não sendo filho primogénito não herdou os bens do seu progenitor e consta que, ao tempo, recusou ofertas de seu sogro, rico proprietário da Bética na Andaluzia, acabando por se tornar salteador (“latronarum”) que significava “chefe de ladrões” e consta que no ano de 155 a.c. os romanos decidiram conquistar o território correspondente à hoje Península Ibérica após a célebre Guerra Púnica contra os Cartagineses, o que deu lugar à Guerra Lusitana, ocasião em que Viriato terá chefiado a resistência, o que levou Roma a propor tréguas tendo em conta o esgotamento das forças romanas após a destruição de Cartago e consta até que Viriato terá recebido a honrosa menção de “amigo do povo romano”.
Desde sempre os Lusitanos foram “considerados a génese dos portugueses”, origem aliás reclamada pelos espanhóis e sabe-se que viveram no território ao que hoje corresponde Portugal continental, bem como outros povos desde os “celtas”, “brácaros” e “celtiberos” e segundo historiadores greco-romanos sempre Viriato foi elogiado pela sua valentia, de pastor enquanto guerreiro, de salteador na qualidade de general dos homens que comandava e segundo o historial Maurício Muñoz “cedo Viriato evidenciou forte capacidade de liderança mobilizando os homens que comandava através do exemplo que dava pela sua própria conduta…” e humanistas houve que no passado ligaram os Lusitanos aos Portugueses, como é exemplo a opinião defendida pelo nosso ilustre conterrâneo Martins Sarmento ao escrever “descenderam os portugueses dos lusitanos, conjunto de povos autóctones e organizados numa economia agro-pastoril, cujos produtos comercializavam com povos de outras zonas…”, embora outros historiadores houve que não defenderam tal tese como foi o caso de Alexandre Herculano.
Consta que, ao tempo, o general romano de seu nome Cipião após uma ofensiva vitoriosa a Hispânia, obrigou Viriato a negociar a paz e acabou por aliciar três seus emissários a assassinar Viriato, a quem após a sua morte foram prestadas homenagens condignas ao “guerreiro e general” num misto de realidade e de mito.

Bibliografia
“Os Lusitanos” de Martins Sarmento;
“História de Portugal (1.º volume)” de Alexandre Herculano.

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