Home » Actualidade

Revista “Elo 16” do CFFH será referência nacional
AVALIAÇÃO DE PROFESSORES EM FOCO

Autor: Sara Machado Oliveira em Quinta-feira, 18 Junho 2009Sem Comentários

SMS-Revista Elo 16A 16ª Edição da Revista “Elo” do Centro de Formação Francisco de Holanda (CFFH), apresentada no Salão Nobre da Sociedade Martins Sarmento, no passado dia 5, por Luísa Alonso, “corre o risco de se tornar a primeira publicação de referência em Portugal sobre a avaliação de desempenho docente”.
Esta previsão foi feita pelo coordenador da “Elo 16”, Francisco Teixeira, durante a cerimónia abertura, presidida pelo director-adjunto da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), António Leite, que interveio depois do director do CFFH, Jorge do Nascimento que focou o papel dos centros de formação na organização educativa e do director da Escola Francisco de Holanda, António da Mota que elogiou a escolha da temática.
“Não poderia haver temática mais actual quando estamos a fechar o primeiro ciclo de avaliação de desempenho com este modelo”, disse o responsável da DREN, que admitiu “foi um ciclo turbulento e difícil”, mas sublinhou “este é também o momento certo para fazer algumas reflexões.” Isto porque “várias instituições preparam-se para apresentar os seus relatórios e contribuírem para a alteração que irá acontecer ao regime da avaliação do desempenho docente”, notou, destacando os contributos individuais para melhoria do actual modelo, para além dos relatórios do Conselho Científico da Avaliação e da OCDE.

Director adjunto
da DRE-N não
acredita noutro
modelo

Depois de falar da “dificuldade de avaliar, de que “não é fácil definir o que vai ser avaliado, para quê que vai ser avaliado e o como vai ser avaliado, de que “não é fácil conseguir que todo o processo seja fiável e garantir que todos os avaliadores sejam de grande qualidade”, António Leite centrou-se em defender os actuais “método, forma e objectivos, substancialmente diferentes daqueles do processo de avaliação, em vigor desde 1990, com eram avaliados até agora os professores.” E, neste contexto, o director-adjunto da DREN, para quem “a escola é o garante do direito à educação no nosso país”, não teve dúvidas em concluir que “a avaliação interna era a única opção possível dada a centralidade da escola nas políticas educativas, pelo que esta deve ter centrada em si a formação e a avaliação dos professores, de outros profissionais das escolas e as ofertas educativas aos jovens e aos adultos”, declarou.
António Leite, que afirmou “nos últimos 25 anos a escola alicerçou-se na ausência da hierarquia” para justificar “problemas em ter entre nós um corpo de avaliadores”, reconheceu, contudo, que a forma de encontrar os avaliadores entre os professores titulares, através das alterações ao Estatuto da Carreira Docente, “foi uma forma problemática e não deu o resultado exacto que gostaríamos”. Porém, recusou-se a aceitar que “todos os professores titulares sejam incompetentes só pelo simples facto de teram passado a ser professores titulares”, atirou, contra-atacando “aqueles que defendem que já eram avaliados e esquecem-se que eram avaliados exactamente por estes que agora que são titulares…”
Luísa Alonso fechou a cerimónia de lançamento da Revista “Elo 16”, depois das conferências proferidas por Eusébio Machado e Maria Alfredo Moreira, respectivamente sobre “Avalição de Desempenho Docente – para uma Avaliação Profissional” e “Avaliação de Desempenho Docente e Supervisão: Apontamentos”.

Revista Elo: 26 textos, mais de 300 páginas
“UM DESAFIO AO ANALISAR”

“Analisar esta revista foi um desafio interessante”, considerou Luísa Alonso que esquadrinhou em pormenor a 16ª edição da revista do Centro de Formação Francisco de Holanda, composta por 26 textos, repletos de reflexões, estudos, teorias e experiências de vários docentes e investigadores sobre o tema da avaliação de desempenho docente.
A especialista de extenso currículo ligado às Ciências da Educação, Supervisão e Inovação Curricular e coordenadora de vários projectos nacionais e internacionais sobre Educação, convidada para apresentar a “Elo 16” não deixou de felicitar “os principais impulsionadores pelos riscos assumidos ao tentar abrir um caminho com esta publicação a nível nacional sobre este tema e com este peso porque são 26 textos sobre esta problemática a abrir caminho e a assentar bases para futuros desenvolvimentos”.
Aludindo aos dois anos de controvérsias e manifestações de rua, desde que foi publicado o Estatuto da Carreira Docente, frisou que “nunca qualquer outro tema relacionado com a escola mobilizou tanto os meios de comunicação social, nem mobilizou a classe docente, o que demonstra como a avaliação sempre fez parte inerente da vida da escola e é dos temas mais complexos porque incide sobre todas as dimensões do sistema educativo e de cada pessoa em particular”.
Na sua análise, Luísa Alonso, dividiu a publicação cinco grupos de sub- temáticas.
O primeiro é sobre a área das políticas educativas com uma visão histórico-sociológica e o segundo inclui textos que reflectem sobre os modelos de avaliação de desempenho, com as suas vantagens e desvantagens, procurando questionar o modelo actual e encontrar propostas alternativas para o concretizar. O terceiro grupo incide sobre importância da inserção da avaliação docente no planeamento global da escola, bem como a sua articulação com os processos de auto-avaliação da escola que permitam desenvolver uma cultura docente de projecto, baseada na colaboração. O quarto grupo tem textos centrados na análise dos processos, dispositivos e técnicas para o desempenho da avaliação na prática e, finalmente, há um quinto grupo de documentos que têm como o objecto a supervisão enquanto estratégia de desenvolvimento profissional e pessoal dos professores, integrada nos processos de avaliação de desempenho docente.

Comentar