Revista “Elo 16” do CFFH será referência nacional
AVALIAÇÃO DE PROFESSORES EM FOCO
A 16ª Edição da Revista “Elo” do Centro de Formação Francisco de Holanda (CFFH), apresentada no Salão Nobre da Sociedade Martins Sarmento, no passado dia 5, por Luísa Alonso, “corre o risco de se tornar a primeira publicação de referência em Portugal sobre a avaliação de desempenho docente”.
Esta previsão foi feita pelo coordenador da “Elo 16”, Francisco Teixeira, durante a cerimónia abertura, presidida pelo director-adjunto da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), António Leite, que interveio depois do director do CFFH, Jorge do Nascimento que focou o papel dos centros de formação na organização educativa e do director da Escola Francisco de Holanda, António da Mota que elogiou a escolha da temática.
“Não poderia haver temática mais actual quando estamos a fechar o primeiro ciclo de avaliação de desempenho com este modelo”, disse o responsável da DREN, que admitiu “foi um ciclo turbulento e difícil”, mas sublinhou “este é também o momento certo para fazer algumas reflexões.” Isto porque “várias instituições preparam-se para apresentar os seus relatórios e contribuírem para a alteração que irá acontecer ao regime da avaliação do desempenho docente”, notou, destacando os contributos individuais para melhoria do actual modelo, para além dos relatórios do Conselho Científico da Avaliação e da OCDE.
Director adjunto
da DRE-N não
acredita noutro
modelo
Depois de falar da “dificuldade de avaliar, de que “não é fácil definir o que vai ser avaliado, para quê que vai ser avaliado e o como vai ser avaliado, de que “não é fácil conseguir que todo o processo seja fiável e garantir que todos os avaliadores sejam de grande qualidade”, António Leite centrou-se em defender os actuais “método, forma e objectivos, substancialmente diferentes daqueles do processo de avaliação, em vigor desde 1990, com eram avaliados até agora os professores.” E, neste contexto, o director-adjunto da DREN, para quem “a escola é o garante do direito à educação no nosso país”, não teve dúvidas em concluir que “a avaliação interna era a única opção possível dada a centralidade da escola nas políticas educativas, pelo que esta deve ter centrada em si a formação e a avaliação dos professores, de outros profissionais das escolas e as ofertas educativas aos jovens e aos adultos”, declarou.
António Leite, que afirmou “nos últimos 25 anos a escola alicerçou-se na ausência da hierarquia” para justificar “problemas em ter entre nós um corpo de avaliadores”, reconheceu, contudo, que a forma de encontrar os avaliadores entre os professores titulares, através das alterações ao Estatuto da Carreira Docente, “foi uma forma problemática e não deu o resultado exacto que gostaríamos”. Porém, recusou-se a aceitar que “todos os professores titulares sejam incompetentes só pelo simples facto de teram passado a ser professores titulares”, atirou, contra-atacando “aqueles que defendem que já eram avaliados e esquecem-se que eram avaliados exactamente por estes que agora que são titulares…”
Luísa Alonso fechou a cerimónia de lançamento da Revista “Elo 16”, depois das conferências proferidas por Eusébio Machado e Maria Alfredo Moreira, respectivamente sobre “Avalição de Desempenho Docente – para uma Avaliação Profissional” e “Avaliação de Desempenho Docente e Supervisão: Apontamentos”.
Revista Elo: 26 textos, mais de 300 páginas
“UM DESAFIO AO ANALISAR”
“Analisar esta revista foi um desafio interessante”, considerou Luísa Alonso que esquadrinhou em pormenor a 16ª edição da revista do Centro de Formação Francisco de Holanda, composta por 26 textos, repletos de reflexões, estudos, teorias e experiências de vários docentes e investigadores sobre o tema da avaliação de desempenho docente.
A especialista de extenso currículo ligado às Ciências da Educação, Supervisão e Inovação Curricular e coordenadora de vários projectos nacionais e internacionais sobre Educação, convidada para apresentar a “Elo 16” não deixou de felicitar “os principais impulsionadores pelos riscos assumidos ao tentar abrir um caminho com esta publicação a nível nacional sobre este tema e com este peso porque são 26 textos sobre esta problemática a abrir caminho e a assentar bases para futuros desenvolvimentos”.
Aludindo aos dois anos de controvérsias e manifestações de rua, desde que foi publicado o Estatuto da Carreira Docente, frisou que “nunca qualquer outro tema relacionado com a escola mobilizou tanto os meios de comunicação social, nem mobilizou a classe docente, o que demonstra como a avaliação sempre fez parte inerente da vida da escola e é dos temas mais complexos porque incide sobre todas as dimensões do sistema educativo e de cada pessoa em particular”.
Na sua análise, Luísa Alonso, dividiu a publicação cinco grupos de sub- temáticas.
O primeiro é sobre a área das políticas educativas com uma visão histórico-sociológica e o segundo inclui textos que reflectem sobre os modelos de avaliação de desempenho, com as suas vantagens e desvantagens, procurando questionar o modelo actual e encontrar propostas alternativas para o concretizar. O terceiro grupo incide sobre importância da inserção da avaliação docente no planeamento global da escola, bem como a sua articulação com os processos de auto-avaliação da escola que permitam desenvolver uma cultura docente de projecto, baseada na colaboração. O quarto grupo tem textos centrados na análise dos processos, dispositivos e técnicas para o desempenho da avaliação na prática e, finalmente, há um quinto grupo de documentos que têm como o objecto a supervisão enquanto estratégia de desenvolvimento profissional e pessoal dos professores, integrada nos processos de avaliação de desempenho docente.

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