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A PROBLEMÁTICA DA SEMANA.Teorização metafísica. Ou apenas estupidez.

Autor: Noticias de Guimarães em Quinta-feira, 2 Julho 20092 Comentários

OpiniaoComo se diz cocó
em português?

Anda: pega em cinco minutos e anda comigo. Vá: arrumas depois a cozinha, ó mariquinhas. Está bem, está bem: eu prometo que te dou a mão quando estivermos a passar a rua. E sim: sempre nas passadeiras. Satisfeito agora? Então vem daí.
Anda um pouquinho mais depressa. Isso: assim está bem. Agora olha para a tua direita. O que vês? Certo: um quiosque. Vai: aproxima-te dele e pega num jornal qualquer – desses que estão aí em grande destaque. Pode ser esse, sim. Depressa: compra-o. Sim: tu. Não trouxe carteira comigo, lamento. Mas depois eu pago-te, ok?
Lê. Nem precisa de ser tudo – só as gordas. Mas lê rápido – os cinco minutos que te pedi estão a escoar. Mais rápido, mais rápido. Está visto? Ok: coloca o jornal aí ao sol e podes regressar à tua vida. Obrigado.
O quê? Não entendeste o que quis transmitir-te? Nada de especial. Apenas estou a tentar perceber se o cocó se derrete, efectivamente, com o calor. Vou aguardar um pouquinho e já se vê. Ah, ficas comigo? Óptimo. Assim aproveito para ir à casa-de-banho – já estou a sofrer há algum tempo. Até já.
Fico satisfeito por ainda aí estares. E não: não se confirma. Afinal ressica-se. Ouve bem – porque vou dizer-to com todas as letras: o jornalismo que se faz em Portugal, salvo algumas honrosas excepções (como a das casas que dão amparo às minhas letras), é uma bosta. Sim: bosta. Excremento, cocó, dejectos – até a palavra em que estás a pensar mas que tens medo de pronunciar. Isso tudo. O jornalismo em Portugal é isso tudo. E muito mais. É compadrio, é ligações perigosas, é medo de dizer a verdade quando a verdade fere. E a verdade fere. E não a dizer – a qualquer jornalista que se honra em o ser – também. Mas o desemprego, e a necessidade de alimentar egos e famílias com egos (e mais ainda: com fome), fere ainda mais. Ai és jornalista? Desculpa – não queria ter-te ferido. Mas já que aí estás, fixa bem: há quem acredite que tu és um paladino da verdade. O povo, sabes? Aqueles gajos que lêem os jornais e ouvem os telejornais e os noticiários das rádios como se estivessem a ouvir a palavra de Deus ou as leis ditadas por um juiz. Fixa bem: aceitares dizer meia-verdade quando sabes a verdade inteira é como aceitares vender o teu filho mais novo para ficares com o teu mais velho. Eu sei que tens medo de ficar no desemprego. Eu sei que tens medo de possíveis represálias. Mas eu também sei que se quiseres, se quiseres mesmo, não será isso a calar-te. Olha para mim: estou aqui, sem medo, a dizer que os grandes grupos jornalísticos e económicos e os lobbies que eles geram estão a matar o jornalismo de verdade. Sim: são os grandes grupos jornalísticos e os grandes patrões que fazem com que o jornalismo mais não seja do que uma arma de arremesso de X contra Y e de Y contra X. Isso mesmo. Sem tirar nem pôr: os grandes grupos jornalísticos são os grandes causadores do facto de o jornalismo em Portugal ser uma bosta, um cocó, um excremento, um dejecto, uma caca. Vês? Acabei de o escrever e ainda aqui est..
- Pum.

Pedro Chagas Freitas

2 Comentários »

  • Guida escreveu:

    ahahah! Viva a liberdade de imprensa!

  • Sílvia Costa escreveu:

    Mas ainda existe jornalismo em Portugal? Onde onde?

    bjos

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