António Magalhães garantiu na última reunião camarária:
“RIBEIRA DE COUROS FICA DESPOLUÍDA ATÉ 2012”
“A ribeira de Couros tem de ficar despoluída até 2012”. A garantia foi deixada pelo presidente do executivo municipal na última reunião camarária.
O assunto da despoluição foi introduzido na reunião no período antes da ordem do dia pela vereadora da CDU ao alertar para a realidade dos esgotos, ou falta deles, em Creixomil, mais precisamente na Pisca. Exibindo fotografias que identificam os focos de poluição, Ana Amélia lembrou que aquela questão “já se arrasta há bastantes anos”. E acrescentou em tom crítico “isto mesmo depois de, há oito anos, ter sido instalado o colector”.
Na mesma intervenção, a eleita da CDU considerou ainda “incompreensível, tendo em conta o investimento que tem vindo a ser feito nestas áreas concretas, a prática de desportos radicais, nomeadamente circulação de jipes nessas mesmas zonas”. Segundo Ana Amélia, a passagem dos jipes “destrói as margens e degrada a ponte românica”.
Na resposta à vereadora, António Magalhães explanou o que ‘está em cima da mesa’ ao nível da despoluição. Adiantou mesmo que no dia anterior (quarta-feira dia 17) tinha presidido a uma reunião que “na sequência de várias que temos tido, fizemos uma espécie de reunião final sobre o tema”.
Sobre essa mesma reunião, adiantou as conclusões políticas da mesma: “a ribeira de Couros tem de ser despoluída não naquilo que é tradicional, isso tem condições para o estar já, mas não está. Mas como passa numa zona muito degradada tem um conjunto de pontos onde aparecem ligações que não se sabem muito bem de onde vêm, mas que são objecto de uma poluição da ribeira que queremos combater”. De acordo com as palavras do edil a despoluição da ribeira de Couros não é um trabalho de despoluição qualquer, “é um trabalho complexo e por isso envolve estas entidades: Câmara, Universidade do Minho e Vimágua”.
Da parte da Câmara a responsabilidade será assumida por um projectista “que fará o projecto da Ribeira desde o parque da cidade até à zona ajusante da central de camionagem e esse projecto (que ainda não está feito, estamos a fazer estudos para a programação da intervenção) e isso implicará uma responsabilidade a dois níveis: um o problema relacionado com as cheias, que não serão passíveis de ser todas eliminadas mas algumas delas podem ser”.
É aqui que entra a Universidade do Minho (UM). Ou seja, “é a UM quem vai apresentar algumas soluções que estão a ser estudadas e que têm de ser implantadas a montante da Vimágua, ou seja, estendendo-se pelo Parque da Cidade”.
O presidente do executivo municipal acrescentou que tipo de intervenção tem a ver com a tentativa de regularizar o leito da ribeira de Couros nos períodos de cheia. “Implicará, porventura bacias de retenção e desvio de alguns canais da bacia que tem cerca de 15 km2. Isto permitirá aliviar locais de estrangulamento que ao longo de séculos obstruíram o denominado leito-cheia – na zona da Caldeiroa e outras, onde se construíram fábricas, casas, galinheiros, muros, etc. Há portanto aqui um trabalho de complementaridade relativamente àquilo que se quer fazer”.
Depois, haverá também a intenção do realinhamento da própria ribeira, que nalguns casos “tem um percurso que permite o escoamento fácil das águas, mas noutras partes tem estrangulamentos que por causa desses obstáculos exigem uma intervenção cuidada e soluções que correspondam aos obstáculos que lá estão”, sublinhou António Magalhães dando alguns exemplos dos estrangulamentos: – zona da Ramada; junto à Pousada da Juventude; rua da Caldeiroa. Nestas zonas “há um conjunto de estrangulamentos para os quais tem de arranjar-se soluções de complementaridade daquilo que é o leio estrangulado da própria ribeira”.
Outra vertente do projecto tem a ver com a despoluição em si. Isto porque “a montante da Vimágua, os pontos são facilmente detectáveis, aqueles que poluem, e não têm gravidade. Da zona da Vimágua até ao shopping há problemas de uma certa complexidade no que respeita àquilo que é o sistema de esgoto, que nalguns casos, tem muitas décadas ou até mesmo centenas de anos”.
O presidente da autarquia acrescentou: é uma zona que corresponde a um espaço de 10 hectares, completamente degradado, que hoje na maior parte dos casos não tem função, mas que tem ainda um sistemas de saneamento básico que era o da época. Logo, aparecem escorrências de ordem vária que não se sabe muito bem qual a sua origem, nem como se há-de fazer, adoptando o esquema tradicional. Ali não pode ser assim, é mais complexo”.
E é aqui que directamente entra a actuação da Vimágua. Segundo António Magalhães “a Vimágua já assumiu é fazer, até Dezembro, o levantamento de todos estes pontos e depois das soluções técnicas que é possível encontrar para resolver a questão da despoluição”.
António Magalhães admite “poderemos não conseguir cem por cento da despoluição, mas em função dos valores que tivermos à nossa disposição, podemos atingir um nível que na prática, aos olhos do cidadão, a ribeira ficará limpa”.
Estimativa entre
oito a 10 milhões
Para este projecto, e com vista a potenciar uma candidatura, foi apontada uma estimativa de oito a 10 milhões de euros. Valores que só podem ser considerados quando houver o projecto. A estimativa resulta de estudos no terreno, dos cálculos que foram feitos, dos troços que foram trabalhados ao longo do percurso – cada troço tem já uma previsão – e faltam os valores das bacias de retenção. Jogando com tudo, “chegou-se à conclusão que deveríamos apresentar uma candidatura que pode ir de 8 a 10 milhões de euros”, diz o edil.
Este projecto assume para António Magalhães especial importância porque não é possível reabilitar e regenerar zonas onde ficarão instalados os equipamentos que vão preencher o CampUrbis com a actual situação”. Na zona do Mercado e da Feira, “há um corredor que já permite desanuviar esta questão”.
Em jeito de balanço da reunião do dia anterior, o edil concluiu: permitiu arrumar a casa ao nível dos estudos que andavam no terreno há algum tempo, Decidir politicamente que a ribeira tem de estar despoluída em 2012 , não pela realização da CEC de ‘per si’ mas por causa da reabilitação da zona de Couros que sem este tipo de intervenção ficaria muito marcada pela negativa”.


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